Um dia você olha
E tudo se faz diferente,
Já não é possível entender,
Construído na pouca certeza
Agora, caminho sem nenhuma.
“Voltei a escrever, passarinho. Fugi por um tempo, envergonhado. Um antigo amigo disse que minhas palavras eram um emaranhado de agulhas que o colocavam em sofrimento... Guardei as palavras para apodrecerem dentro de mim. Adoeci-me conscientemente. Ele está bem”.
Seu afeto era tédio,
Causado por mim...
Suas palavras foram indiferença,
E eu jurei tantas coisas bonitas
Hoje risíveis,
Atiradas ao escárnio...
Adoeceram.
Ado(rm)eci.
“Tento voar, passarinho, sem rumo, sem revoada. Desaprendi... Tenho medo da solidão que imponho a mim, tenho medo da solidão que me aguarda sentada com uma xícara de chá e silêncio. Não quero mais essas coisas perto de mim. Não há pele suficiente para mais feridas...”
Observo seus passos,
A raiva de tudo,
Reclamando dos dias,
Julgando outros voos...
Desenvolveu um medo do contraditório,
Uma antipatia de quem ousa discordar.
Tornou-se cruel com as palavras
E com a ausência dela.
Quando vem, é sempre sobre você.
“Já não tenho mais nada que você precise... Sinto muito! Fiz o possível e... não posso mais prover o que vá interessar. Abracei a angústia nas palavras e reneguei a amargura, passarinho. E mesmo com tantos tropeços não me permito a tristeza. Renego o retorno das coisas e minto a quem mentiu... Sirvo morno as horas frias e sempre respondo com distância. Troquei o amor pela educação”.
Giro em torno de mim,
trôpego, não caio.
Eu sabia voar, lembra?
Continuo girando,
Perdido,
Encontro...
Deixo ir.
Não quero mais saber de você,
Não quero mais que saiba sobre mim.
“Sei o quanto palavras bonitas são difíceis: prendem em seus lábios, sujam suas mãos... Tranquilize-se, o tempo passou, passarinho(s), já não importa mais”
Wanderson Lana
01/06/2026

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