Venho ouvindo estilhaços,
Que cortam minhas asas
E causam sopro ao coração...
Cambaleio em silêncio,
Cancelo o voo
Adentro o ninho.
Sinto-me melhor,
Mais esperto,
Inda mais forte,
Contente, sabe?
Preciso voar mais alto – penso,
Preciso voar mais alto – projeto.
Preciso voar mais alto – aceito.
Preciso apenas voar...
O medo sempre me toma,
Sinto-me responsável pelos estilhaços que recebo,
Por quem sofre as coisas que a si mesmo causou,
Por quem deseja recompensas o tempo inteiro
Em troca do mínimo, ou em pagamento da própria existência.
Por quem planta raiva e ausência ao quintal
E semeia gentileza e afeto ao que lhe é distante,
Até mesmo hostil.
Preciso explodir logo – penso,
Preciso explodir forte – planejo,
Preciso explodir grande – aceito.
Preciso explodir...
Não almejo mais a doçura das palavras,
Nem o canto ressentido do equilíbrio,
Dei-me o prazo de um descaso,
Um cochilo prolongado de aceitação.
Sinto-me pronto para as despedidas que se arrastam,
Para tirar o cansaço de quem diz não aguentar mais,
Aliviar o trabalho dos atribulados,
Mostrar a porta de saída para quem só fala em raiva.
Dizer sobre outros céus, outros chãos...
Desejar sorte a mim,
Sorte a quem vai,
A quem fica.
Um voo ao desenlace.
Preciso dizer o que sei – penso,
Preciso dizer que sei – escrevo,
Preciso dizer e acabar – agendo.
Wanderson Lana
07/10/2026
