segunda-feira, 2 de março de 2026

Estilingue


 

Ando doendo quietinho,

Sem barulho,

Sem grito,

Sem raiva.

Ando dormindo pouco,

Falando pouco,

Saindo pouco,

Sendo pouco.

 

Caminho pela casa

E paro,

Paro!

(Para, por favor).

Parei de escrever,

Parei de ficcionar,

Parei de ir...

 

Leio coisas tolas

Sobre tolices iguais a minha,

Bobagens iguais a mim,

Descartáveis igual eu fui... Eu sou.

Será que passa “quando”?

Será que existe um “quando”?

Por que de tantos “quando”?

 

Não quero o abraço,

Não quero a palavra,

Não quero as promessas,

Não quero o sorriso,

Não quero a história,

Não quero a desculpa,

Não quero seus medos,

Não quero seus traumas,

Não quero...

 

Dói e é melhor doer,

Doer é melhor.

E...

Dói,

Dói...

 

Por isso o silêncio,

Por isso a distância,

Por isso o desbotado,

(Sumiu com a cor)

A resiliência,

A pouca fé...

Eu sei...

Eu sei...

...

 

Ando dormindo pouco,

Caminho pela casa,

Leio coisas tolas...

Ando doendo quietinho.

 

 

Wanderson Lana

02/03/2026