quinta-feira, 17 de junho de 2010

Portão de Madeira ao Relento


Minha casa tem um portão de madeira e tem ferrugem

Tem um portão de madeira sem uma casa pra guardar

Fica ao relento, seguro.

Não cede ao vento, ao rústico, às palavras duras, nem às decepções.

Cede a você...

Ele se abre,

Faz entrar enquanto ainda está fora.

E quando ouço a tranca cerrar, ainda assim permanece.

Longe e está aqui.



Minha casa não tem casa – só portão.

Um portão de madeira enferrujado pela agonia que embrulha o estômago e não escorre.

Ferrugem brotada.

Resistente, trancou-se ao mundo

De todos os caminhos, de todos que bateram a porta, preferiu a agonia...

Preferiu amar ao amor.



Os pés, desgastados, não tocam o chão

Ao longe, parece inevitável desfacelar

Mas é seguro...

Resiste ao vento, ao rústico, às palavras duras... E a decepção?

Enfurruja...

Até um portão de madeira guardião sem casa, enferruja

Ao relento.

Teimoso, só cede a você e a mais ninguém.



Wanderson Lana

domingo, 23 de maio de 2010

Carta ao amor que sinto


Amor, irei matá-lo dentro de mim
Sorrateiro, meu peito não suspeita
Inocente e algoz... meu peito não suspeita.
Arrancareias raízes,
Perderei esse frio que causa asco
Que me faz chorar.
.
Amor, ontem escrevi para que soubesse,
Ontem escrevi para que soubessem
"Eu te amo e sinto a sua falta"...
Não escondi em meu intimo
Não fiz da verdade objeto meu,
Escrevi lançando ao vento... Eu te amo e sinto a sua falta.
.
Amor, os dias permanecem sem canção,
Nossas horas dissiparam em "minhas" e "suas".
O coletivo se tornou pretérito
E eu não sei ler...
Escrevo ao vento, agora brisa sem resposta
E eu não sei ler.
.
Amor não me permita decretar o fim
Depois sofro - você sabe
E frágil, choro , desfaleço, sinto.
Enfrento o amor para que ele resista
Triunfante, reitere ter vindo pra ficar,
E no peito permaneça... Fortalecido.
.
Amor irei matá-lo dentro de mim,
Amor... Amor...
Eu te amo e sinto sua falta.
.
.
Wanderson Lana
23/05/2010

sábado, 17 de abril de 2010

Independência



É sete... Independência,

E meu peito inda cativo,

Mole, desgostoso.

Perdido nas situações que escolhe

Ou errado no amor ao que se permitiu ceder.


A independência não existe aqui,

Cada dia feliz ganha uma noite a ser esquecida.

E cada pequena falha, faz a mente repensar uma vida inteira,

onde não houve erro algum ou falha que justificasse repensar a vida.


Desgosto as cores como se realmente fosse capaz de identificá-las.

E por ser tão simples odiar, em meu corpo se torna epidemia,

Depois das cores vêm minhas mãos, meus olhos, meu jeito...

Atinge qualidades das quais me orgulho,

Atingem o melhor de mim.

Cativo, deixo...

Presa que se permite presa.

No fim das coisas que contam, sou só vazio.


E vago vazio como se esse realmente fosse eu.

Viro as coisas que meu peito erra,

Então me permito a dor

Porque dói!

Mesmo o peito vazio, dói...


-Preciso encontrar outro amor!

-Preciso amar quem me ame também!

Prometo a mim mesmo como em oração.

Depois que esse amor morrer em mim,

O outro me permitirá viver.



Wanderson Lana
07/09/2009

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sussurre para não acordar



Está ali
Chegou há pouco
Silêncio... pois agora descansa.
Não canta
Não voa
Esquece a sede
Confronta a fome
e dorme...
Aquele que lutou contra o vento achou um ninho
e no silêncio dorme.
A asa ferida
A rouquidão
O fracasso...
Deixou a mente vazia pra não lembrar.
Silencio!...
Ele dorme
Achou um ninho frágil que protege...
E dorme,
repousa,
depois de tanto tempo...
Há pouco cantou sua dor
Todo o mundo ouviu
Só um alguém que não
Quem importava não ouviu.
Silêncio, agora chega!
Deixa assim
quieto,
Não lembra não
está tão cansado...
Voou contra o vento
Não foi ouvido.
Calado e sem forças,
queria não chegar...
Agora está bem,
Agora descansa
Silêncio...
Silêncio...
Está com a mente vazia
Já vai sonhar.
Silêncio!
Já vai sonhar...



Wanderson Lana
04/04/2010

domingo, 28 de março de 2010

As duas mãos



Duas mãos unidas e de sentimentos desiguais

Uma passeia e afaga

Outra segura e desdenha.

Duas mãos...

Uma só.


Juntas se fazem lindas

Separadas são lindas também

Quando solta, uma triste, procura

A outra, livre, se sente bem.


A pequena é a mão mais forte

Não se envolve e em breve dirá adeus

A pequena é forte

E externa os detalhes rústicos

Quando vai tocar.


Na noite que se encontraram

Uma mão sentiu que não quis

A outra de amor, traiu-se

Sem o mínimo final feliz.


A maior é a mão mais frágil

Precisa soltar, mas se ilude ao unir

A maior é frágil

E com toques suaves tenta conquistar...

A mão que nunca será sua.


São duas mãos tão unidas

E de sentimentos desiguais

A mão forte que não se importa

Fez da fraca não querer mais


Wanderson Lana
28/03/2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Colméia




Nunca gostei de histórias curtas. Histórias curtas não carregam consigo envolvimento suficiente para comover. Então me abstenho ao desprazer de descobrir a superficialidade que, debalde, tentam causar. Menosprezo, fujo, me nego a lê-las, me nego veementemente. Nunca gostei de histórias curtas.

Era uma vez uma colméia onde todos batalhavam ao comando de uma rainha que possuía as mais brilhantes listras amarelas e pretas de todas as rainhas daquela pequena região de jardim habitada por sete outras colméias. A Rainha era condescendente e gentil, por isso sua colméia tornou-se a maior em pouco tempo e quando menos perceberam já era a maior produtora de mel de todo aquele espaço verde de árvores de braços retorcidos.

Como toda monarquia parlamentarista os súditos começaram a proclamar por uma democracia Talibã ou por um Anarquismo egoísta e a Colméia começou a se fragilizar em seu auge. Visto que o crescimento e queda são as únicas coisas inevitáveis numa sociedade organizada.

As coisas ficaram piores quando começaram a dizer que a Rainha permitia mais mel a alguns súditos, foi quando alguns súditos resolveram boicotar o trabalho ou fazer o mínimo que podiam. Resignados a qualidade de produtores de mel que tinham alcançado, relaxaram. E ninguém mais queria consertar e sim mostrar como a Colméia estava ferida, rachada. Todas as revoltas das abelhas se tornaram importante demais e as opiniões passaram a ser verdades absolutas.

Opiniões não são verdades... Opiniões estragam a verdade.

Algumas abelhas partiram da Colméia e depois sentiram saudades... Outras sentiram saudades da antiga colméia... Outros nada faziam... Mas em sua maioria esqueceram o sentido de colméia.

Perdidos, começaram encontrar culpados e não mais respeitar a rainha e sim, apenas obedecer. Muitos pensaram ser a pessoa certa para estar no lugar dela, mas não ousavam falar, mostravam isso ao agir.

Cada uma queria a saída de um semelhante da colméia.

Cada uma tinha uma reclamação.

Cada abelha e a sua dor fizeram com que o mel começasse a faltar.

Um dia a Abelha Rainha marcou uma reunião onde traria as soluções definitivas. As cobranças de seu reinado próspero a havia deixado com listras cinza e um amarelo desbotado. Nesse dia, todos compareceram... Vibraram, torciam uma pela derrota do outra – Naquele dia ninguém buscou mel.

A Rainha não compareceu, deixou apenas uma carta de poucas palavras, escrita com o pouco de mel que havia sobrado:

Para que ninguém parta, parto eu... Cuidado com o estoque, já não há mel suficiente pra mim nem pra ninguém. Morreria, se assim continuasse. Aquela que se tornar Rainha se preocupe com o mel, sem ele não há vida na colméia. E, súditos... Esqueçam um pouco suas feridas e consertem a casa que as abriga, senão qualquer pedra poderá vos derrubar.

Comigo foram alguns fiéis e outros já me esperam. O mel é farto, mas é preciso ir até as flores pegá-los, elas têm asas para levá-los até nós.

As reações foram diferentes, cada abelha sentiu de uma forma. Não esperavam o partir da Rainha que também nunca esperou partir.

E a história termina assim... O que as abelhas farão da Colméia para que essa não seja vista no chão, ninguém sabe. Ninguém sabe também se pediram pra Rainha voltar.

Nunca gostei de histórias curtas. Histórias curtas não carregam consigo envolvimento suficiente para comover

Wanderson Lana