quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Desapego
domingo, 10 de outubro de 2010
Passarinhos não devem voar
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Vontade em meio ao jeans de segunda-feira
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Coração vencido

Então, agora, irei ouvir o meu chorar, amor...
Tente imaginar também...
Dois corpos suando no prazer pelo prazer
Enquanto um êxtase suspiro explode em marcas no corpo
O outro teima em lembrar
Esquece e lembra
No ritmo dos corpos
Esquece, Lembra, esquece, lembra...
Não esquece mais.
Explode o prazer e o corpo vencido... O corpo suprido lembra de chorar.
Mas não chora por amor esse coração que de amor sofre
Arranha-se por dentro com a sangria endurecida,
Não sabe se bate ou se pára... sabe que mexe
Não sabe se dói ou se acalma... sabe que mexe...
Tente imaginar também
Outra conversa com vozes que se encaixam num mesmo assunto
Pessoas disputando o prazer de falar e serem ouvidas
Com tantas coisas a dizer
Tantas pessoas pra ouvir
Cala-se.
Cala-se e vai lembrar
Ali parado vai lembrar
Perde as coisas do mundo, a opinião interessante de quem tem muito a dizer.
Enquanto falam de equações a mente intensifica a necessidade de chorar.
Mas não chora esse olhar que verte lágrimas
Afunda-se na órbita, se martiriza
A sobrancelha que é suave salta e disfarça
O seu olhar que é irreal fica e disfarça.
Tente imaginar também...
Comigo... Agora,
Irei ouvir o meu chorar, amor.
Irei...
Tente... Agora...
Wanderson Lana
09/09/2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
Ao gato que arranhou o sofá


Sim, é pra você este poema.
Preguiçoso e desdenhoso, talvez nem leia
E continue a se espreguiçar,
Arranhar o sofá da sala,
Banhar-se de si mesmo
E adormecer tranquilo.
Não, não há pesar em você;
Nem pelo sofá, nem... Deixa... Nem pelo sofá.
Carrega na mente só o despertar e mais nada.
Ontem afastei o prato, o leite pareceu do cachorro.
Tímido esforço de revolta contra você que... Nem ligou;
Não ligou, roçou minhas pernas;
Não ligou, bebeu o leite;
Não ligou, adormeceu no sofá.
Quero dizer que não gosto do seu jeito desdenhoso,
E, também, para que não estrague o sofá
E... Deixa! Deixo...
Só não estrague o sofá.
Wanderson Lana.
20/07/2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Cachorros e asas
Houve um tempo onde cachorros vertiam asas,
E sem nenhuma dificuldade, conseguiam nos erguer no vôo.
Preocupados com o gozo, aquém da prudência... Atreviam-se ao mais alto possível.
E lá, onde os pés sempre quiseram tocar sem asas, não se atreviam a nada,
Fiéis, comemoravam um desejo inerente a si...
Este tempo, tempo dos cachorros de asas,
Chovia sempre no fim da tarde, quando o sol, gigante, quase embalado nas montanhas, ameaça desfalecer.
Assim fraco, permitia o perpetuar das poças,
E minha infância corria, mergulhava em sua profundidade rasa e irrelevante.
- Livre...
Escutava latidos formarem sons e fugir.
Enleado, a infância então desprendia e também era som.
Tempo em que podia voar e voltei,
Tempo em que podia falar sem vergonha,
Tempo em que se tinha tempo e o tempo era seu.
Tempo onde cachorros vertiam asas e não negavam o céu...
Tempo a favor, que hoje vento, sopra contra e enruga a face.
Tempo...
Minha infância corre entre poças...
Sorri, solto, e late para um cachorro que... Pode voar o cachorro.
Distantes, mas ali, causando a ilusão de ainda existir.
Num tempo em que podia voar e voltei.
Wanderson Lana
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Portão de Madeira ao Relento
Minha casa tem um portão de madeira e tem ferrugem
Tem um portão de madeira sem uma casa pra guardar
Fica ao relento, seguro.
Não cede ao vento, ao rústico, às palavras duras, nem às decepções.
Cede a você...
Ele se abre,
Faz entrar enquanto ainda está fora.
E quando ouço a tranca cerrar, ainda assim permanece.
Longe e está aqui.
Minha casa não tem casa – só portão.
Um portão de madeira enferrujado pela agonia que embrulha o estômago e não escorre.
Ferrugem brotada.
Resistente, trancou-se ao mundo
De todos os caminhos, de todos que bateram a porta, preferiu a agonia...
Preferiu amar ao amor.
Os pés, desgastados, não tocam o chão
Ao longe, parece inevitável desfacelar
Mas é seguro...
Resiste ao vento, ao rústico, às palavras duras... E a decepção?
Enfurruja...
Até um portão de madeira guardião sem casa, enferruja
Ao relento.

