Está ali Chegou há pouco Silêncio... pois agora descansa. Não canta Não voa Esquece a sede Confronta a fome e dorme... Aquele que lutou contra o vento achou um ninho e no silêncio dorme. A asa ferida A rouquidão O fracasso... Deixou a mente vazia pra não lembrar. Silencio!... Ele dorme Achou um ninho frágil que protege... E dorme, repousa, depois de tanto tempo... Há pouco cantou sua dor Todo o mundo ouviu Só um alguém que não Quem importava não ouviu. Silêncio, agora chega! Deixa assim quieto, Não lembra não está tão cansado... Voou contra o vento Não foi ouvido. Calado e sem forças, queria não chegar... Agora está bem, Agora descansa Silêncio... Silêncio... Está com a mente vazia Já vai sonhar. Silêncio! Já vai sonhar...
Nunca gostei de histórias curtas. Histórias curtas não carregam consigo envolvimento suficiente para comover. Então me abstenho ao desprazer de descobrir a superficialidade que, debalde, tentam causar. Menosprezo, fujo, me nego a lê-las, me nego veementemente. Nunca gostei de histórias curtas.
Era uma vez uma colméia onde todos batalhavam ao comando de uma rainha que possuía as mais brilhantes listras amarelas e pretas de todas as rainhas daquela pequena região de jardim habitada por sete outras colméias. A Rainha era condescendente e gentil, por isso sua colméia tornou-se a maior em pouco tempo e quando menos perceberam já era a maior produtora de mel de todo aquele espaço verde de árvores de braços retorcidos.
Como toda monarquia parlamentarista os súditos começaram a proclamar por uma democracia Talibã ou por um Anarquismo egoísta e a Colméia começou a se fragilizar em seu auge. Visto que o crescimento e queda são as únicas coisas inevitáveis numa sociedade organizada.
As coisas ficaram piores quando começaram a dizer que a Rainha permitia mais mel a alguns súditos, foi quando alguns súditos resolveram boicotar o trabalho ou fazer o mínimo que podiam. Resignados a qualidade de produtores de mel que tinham alcançado, relaxaram. E ninguém mais queria consertar e sim mostrar como a Colméia estava ferida, rachada. Todas as revoltas das abelhas se tornaram importante demais e as opiniões passaram a ser verdades absolutas.
Opiniões não são verdades... Opiniões estragam a verdade.
Algumas abelhas partiram da Colméia e depois sentiram saudades... Outras sentiram saudades da antiga colméia... Outros nada faziam... Mas em sua maioria esqueceram o sentido de colméia.
Perdidos, começaram encontrar culpados e não mais respeitar a rainha e sim, apenas obedecer. Muitos pensaram ser a pessoa certa para estar no lugar dela, mas não ousavam falar, mostravam isso ao agir.
Cada uma queria a saída de um semelhante da colméia.
Cada uma tinha uma reclamação.
Cada abelha e a sua dor fizeram com que o mel começasse a faltar.
Um dia a Abelha Rainha marcou uma reunião onde traria as soluções definitivas. As cobranças de seu reinado próspero a havia deixado com listras cinza e um amarelo desbotado. Nesse dia, todos compareceram... Vibraram, torciam uma pela derrota do outra – Naquele dia ninguém buscou mel.
A Rainha não compareceu, deixou apenas uma carta de poucas palavras, escrita com o pouco de mel que havia sobrado:
Para que ninguém parta, parto eu... Cuidado com o estoque, já não há mel suficiente pra mim nem pra ninguém. Morreria, se assim continuasse. Aquela que se tornar Rainha se preocupe com o mel, sem ele não há vida na colméia. E, súditos... Esqueçam um pouco suas feridas e consertem a casa que as abriga, senão qualquer pedra poderá vos derrubar.
Comigo foram alguns fiéis e outros já me esperam. O mel é farto, mas é preciso ir até as flores pegá-los, elas têm asas para levá-los até nós.
As reações foram diferentes, cada abelha sentiu de uma forma. Não esperavam o partir da Rainha que também nunca esperou partir.
E a história termina assim... O que as abelhas farão da Colméia para que essa não seja vista no chão, ninguém sabe. Ninguém sabe também se pediram pra Rainha voltar.
Nunca gostei de histórias curtas. Histórias curtas não carregam consigo envolvimento suficiente para comover
Senti em minha pele o seu rosto Nenhuma melanina me protegeu em sua fala, substantivo composto em meu coração o apogeu.
Dançando, dançando e dançando minhas mãos perderam o pudor Foi tocando, sentindo e amando... amando tanto sem fazer amor.
Foi incrível o calor de seus dedos Tão parados correndo em minhas costas meus desejos, segredos e medos minhas vidas, com música, expostas.
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Mas não pare orquestra, não pare! Deixe vôo alçar essas pernas ponham os dedos no piano e amor dispare enquanto faço, devagar, juras eternas.
Eu não ligo p'rás verdades obscuras descobertas nessa valsa inebriante só me importa suas três mechas escuras Eu só quero nessa valsa ser amante.
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A sala escura e arejada assistia o rodopiar de um Urutau sem cor que camuflado - se apossou da cotovia que encurralada - se entregou ao novo amor.
Nostalgia e inveja nos olhares alguns pedidos para o piano cessar seu suspiro foi roubando ares e a orquestra foi parando o seu sonar.
Findou-se a dança e estava tudo "tudo bem" Separo os corpos e já sei o que dizer surpreendente tu me cortas com um "também" Já em resposta ao meu "eu amo você".