quarta-feira, 25 de março de 2020

Primeira carta ao Amigo






A gente é pendido a ficar parado, com medo. Esperando alguma coisa que acredita merecer. Somos o menino que encontrou a planta murcha sem sentir o cheio. Ali parado, sem ainda entender, cai no cócoras enquanto o peito corre... Fica velando o que não foi enquanto a vida acontece. Caminhamos com nossa frustação tão dependente do outro: do abraço do outro, do cheiro do outro, do riso do outro, da alegria do outro, das lágrimas do outro, do sotaque do outro... Obcecar-se de coisas que só existem na gente mata nosso tempo e a gente tem pouco tempo.
Querido amigo, escreverei com mais frequência. Ausente, causei coisas das quais me envergonho. Perdoa-me primeiro, mas devo dizer as palavras como elas se alinham em minha mente. Pecarei por excesso, como pecam os prolixos, porém, prometo compensá-los com uma retórica cheia de afeto. Acredite em mim: Eu te amo!
Não se enamore pelo desgosto, alerto-te dessa prática dos romances que leu e encerrava de maneira heroica a curva dramática daquele que não foi correspondido. O desgosto não combina com pessoas que amam tanto. E não, nem sempre é justo o que nos acomete. Não fica parado justificado as feridas plantadas em ti pela ausência de palavras e de afetos enquanto se martiriza pelas feridas protagonizados por seus gestos ao peito alheio. Queria abraça-lo agora, contrariado pela distancia, beijo as palavras para que sinta meu hálito enquanto lê, minhas letras sonham em ser presença em sua vida.
As vezes somos fiéis com medo de perder coisas que não mais existem. E com medo de perder inexistências nos perdemos de nós mesmos e deixamos de ser existência. Vão aparecer outras pessoas e nem tudo precisará mais ser tão profundo como já não o é agora. Deixa ir, deixa ser, deixa não ser... Você gritou ao mundo que amava e não foi amado... não sinto vergonha! Não há eco para o amor. O infinito só repete o vazio.
Ontem encontrei um desenho... Um presente... Um pedaço do outro vivendo em minha casa. Havia tantas boas lembranças, tantos bons momentos ali entre cervejas e vinho. Então o arremessei ao fogo – o desenho – instantaneamente sem nenhum remorso e explico: esquecemos a solidão causada, o desamor calculado pela menor lembrança boa ou pelo menor aceno de gentileza. Quando nutrimos afeto por alguém ofertamos todas as nossas subjetividades em troca de um momento, de uma esperança. Esperança na vida é substantivo e não verbo de ação. Entende o que digo? Não aceite nada menor que esse seu coração que alegra meus dias ou oferte a mesma força... pesa caminhar tanto tempo assim, tísico, em desequilíbrio.
Não digo ser indolor, mas se já dói por que não doer diferente? Estrada repetida só tem sentido quando no final também te anseia outro coração, se não, faz a curva, querido amigo, e bebe alguma coisa na esquina dos seus medos... Ressaca vira lembrança (bebo agora) mãos trôpegas formando frases que deveriam combinar. Posso perder a qualidade de encaixá-las em breve, mas prometo não perder a fé que motiva a escrever-te. Falava de curvas e estradas... temo estar perdido. Engraçado construir estradas pelas quais caminham desconhecidos. Você olha e pensa, conheço quem caminha, mas os olhares são tão distantes... Não é possível tocar mais, falar mais, sentir mais... São estranhos e distantes e continuam ali, caminhando na sua rua que, de repente, não é sua mais, você é estranho ali... E por sentir demais, você é intenso demais e, e... sua rua não te cabe (vira a esquina, já disse). Quando o caminho não é mais seu, nenhum passo será o suficiente.
É tão bom ser amado – Você ainda se lembra? – Ser motivo de saudade, complexo de nostalgia. Amigos também são amores e partem... e maioria dos seus partiram sem avisá-lo da partida – desculpa ser direto, a bebida me causa rispidez –, deixaram pequenas presenças que teimam em te esvaziar e você é incrível... Mesmo vazio, você é incrível. Dizem-te isso? Acordam e dizem como é especial? Como toca o vento, de doçura, as suas palavras? Como o universo brinca de fazer o centro em ti? Dizem-te eu te amo e abraçam-te com frequência?
A humanidade criou-te como capricho... É impossível olhá-lo e não querer ser melhor.
Teimo, então, em insistir: Vire a rua! Não é justo que te construa em defeitos, que paguem teus afetos com a distância, que colham seus abraços e plantem flores murchas em seu jardim... Nele tudo vive, meu amigo, seu peito é fértil de abraços. Sofrerei contigo se assim fizer necessário, mas vire a rua... Não tenha medo, só não fique aí.
Despeço-me com a certeza de brevidade.


Wanderson Lana
25/03/2020

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Conversas sobre um cachorro amarelo




Você virou saudade que não deseja encontro,
Lembrança boa
Trancado no coração para não voltar,
Dança de bêbados...

Quem diria que no passado seríamos eternos assim,
Nessa distância saudável que nós criamos,
Sorrimos
e comemoramos nossas ausências sem culpar ninguém,
além de um ao outro,
Como fazem os... desfeitos.

Somos desfeitos,
Braços e pernas caindo na estrada,
ritmo verde em um céu escuro,
dançamos lá em algum momento.
Desfeitos,
Assim nos apresentaremos a partir de agora:
desfeitos...
De palavras, do toque, da gente...
Bêbados dançando no céu, lembra?
Lembra do céu de quando a gente se estava para a gente?

Lembrança boa...
Saudade que não deseja encontro.


Wanderson Lana
01/05/2017



Pretérito imperfeito







Estava pensando em você,
Estava querendo dizer algumas coisas...
palavras tortas, iguais, palavras minhas, coisas minhas.

Eu ía te ligar,
Desisti pela hora, pelas outras coisas, por qualquer outra coisa,
Ía mandar um sinal que já não me lembro porque não mandei.

Precisava dizer algo e esqueci,
Não era importante ontem
e hoje virou um amontoado de sorrisos melhores.

Eu ía te ver,
Mas cansado da gente preferi a tv, o sono.
A possibilidade da presença, da sua presença...
Ela... A possibilidade... 
Não vou dizer,
Falava outra coisa.

Eu te amaria...
Desculpa... Futuro imperfeito.
As vezes a nossa conjugação sai errada,
às vezes a gente se acomoda em qualquer tempo da conjugação.

Acho uma besteira você me esperar no presente.


                                                                             Wanderson Lana
                                                                             01/05/2017






sábado, 22 de abril de 2017

I - Querido amigo





A gente não se encontra mais,
nossos olhares e saudades custam presenças que partiram antes.
Ainda sorrimos um pouco
antes da palavra atravessada que vem de mim ou parte de ti.

Não posso consertar isso...
Perdão... não posso.

Eu tentei uma carta,
escrita  num soluço,
como mão que salta do papel apenas quando encerrado o que vacila o coração...
Eu te escrevi, lembra?
À ti, sobre ti, em ti.
Como se pudessem as palavras mudar o mundo.
Tolo!
Poeta perdido em suas próprias histórias.

A gente não se encontra mais.
Crescer tem disso, esqueci de dizer,
Ninguém aparece para juntar as folhas que você chutou no quintal.
Seus soluços fora do tom,
Desdizer...
Quem sabe se fosse possível desdizer...
"Você estragou a minha quinta"
"São péssimos meus passos quando só me sobra ti"
"Foram difíceis minhas horas com ele"
"Tenho medo de dizer qualquer coisa"
"Nada mais digo, são suas todas as verdades"...
Desouvir...
Desouvir, talvez, fosse o melhor caminho para dar-te de novo as mãos e ficar com toda essa raiva que sente de mim.


Desamá-lo, agora, é a maior justiça que faço ao nosso afeto.
dar-te-á fruto que não alcanço e eu... Crescerei meus galhos até o vento,
abrirei meus poros para ouvir...
- Você é especial - te disse...
Agora careço dos que me sintam assim também.
Sou vento... Sou galho solto no ar.
abraço apertado,
a palavra sim,
o desespero,
a calma...
A pessoa que olha sem graça na tentativa quase trôpega de dizer:
A gente não se encontra mais.


Wanderson Lana
22/04/2017



sábado, 8 de dezembro de 2012

O Monstro debaixo da cama










Desculpa, mas não consigo dormir,
Tem um monstro debaixo da cama.

Não sei como estar protegido, você sabe?
Você pode me ajudar?
Tenho medo de meus pés no chão
 de acender a luz,
Tenho medo do que posso ver...
Fico parado. Estou parado, tenho medo!
Desculpa, eu já disse sobre o medo.
Fico repetindo as coisas e me esqueço do monstro
debaixo da cama,
Esqueço sua existência até tudo ser silêncio,
Aí vem os sonhos, as lembranças e Ele.
Eu de bruços na cama sentindo-o arranhar meu coração,
E não grito,
Aguento calado.
Por muito tempo achei que iria passar...
E passaram-se os dias e não o arranhar do peito,
Desconfiei.

Quer ouvir a história?
Eu sei, sou eu que preciso dormir.
Mas quando desconfiei acreditei outras coisas,
Desacreditei as pessoas.
Agora a hora corre
E continuarei escrevendo.
Não olha assim... Desculpa,
Não consigo dormir.
Tem um mostro debaixo da cama.

Você pode vir aqui acender a luz.



Wanderson Lana
08/12/2012

domingo, 18 de novembro de 2012

Carta



Amigo,


Escrevo-lhe em urgência. Escutei, alguém passeia pela cidade e ignora um passado onde sempre existiu seus olhos, seus gestos e esse seu coração bobo e dependente. Escutei que padece de uma dor profunda que causou a produção exagerada de leucócitos e hoje tem leucemia seu coração. De nada adiantará essas palavras, pois coração doente não age com a razão. A verdade é que as coisas são vazias de razão e só percebemos quando precisamos delas; das coisas e das razões.
Não liga, não fará bem ouvir a voz. Ouvir: - Oi. Tudo bem? E aí? Então tá, até mais... As coisas não vão mudar, amigo. Bate forte seu coração nessas certezas, sente, põe a mão no peito e sente. Está lenta a batida, não é? Tem câncer seu coração. Cuida dele. Coração doente não pede remédio, coração doente acredita. É cristão um coração com leucemia, é cristão.
Peço, por gentileza, desculpas. Não falo da doença que ataca medulas ósseas, falo de uma doença que ninguém disse a você, então como amigo digo: o câncer do coração causado pela produção excessiva de glóbulos brancos, responsáveis por combater amores-que-deveriam-ser-e-não-foram-mas-não-partiram acometem pessoas que mantém a esperança que ainda dará certo. Não existe cura. A oncologia não é capaz nem de diminuir os sintomas da doença: olheiras, insônia, perca de vontade, baixo autoestima, sensação de não-pertencimento, e vontade de chorar. (“Chorar água” e não lágrimas, a diferença está na intensidade. Não existe lágrimas em abundância no corpo, mas água sim e seu corpo chora e fica seco). A Oncologia apenas sugere buscar novos sorrisos. Sei, sei eu prometo, é um tratamento tão doloroso para quem padece, mas é preciso. 
Você não pode perder!
Sei que disse perder e não morrer. Porque câncer de coração não mata, derrota. E ser derrotado é adormecer por dentro e não acordar nunca mais. Por inúmeras que sejam as tentativas uma vez partido, o coração não se junta. O sangue não é cola, amigo, por isso não deixa o coração partir.
Amanhã te escreverei novamente como quem torce para uma recuperação. Seguro sua mão na distância e tenha certeza que muito do meu dia eu ganho pensando em seus sorrisos e suas dores. Quero seu equilíbrio para me ofertar os exageros. Eu te amo e amar é estar perto, na presença e na distância.



Wanderson Lana (17/11/2012)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Dia 29 do segundo mês




Distante vejo sua imagem em meus dias que se foram,
Aos que virão, ainda não é possível ver além da bruma.
Alcanço apenas uma porta guardando um lugar vazio de rostos conhecidos,
Não sei se é meu lugar, mas continuo caminhando... Não posso parar assim, não posso parar aqui.

Sinto saudades das coisas que planejava e não de como elas realmente foram,
Vejo diferente, vejo um mundo diferente quando abro os olhos para viver, e não vivo... Fico escondido dentro de mim.

Será que você pode me beijar agora?
Vinte nove vezes, em todo lugar ferido?
Será que você consegue dizer sem desviar os olhos?
Eu prometo escutar, me deixar, beijar também.
Prometo devolver algumas coisas suas que voltaram para o meu peito,
Mas beija, agora, não espera... Beija, a bruma cobriu meu olhos e já não consigo te ver... Você me vê?

Faltam muitas horas para o futuro,
E minha translação é errada...
Sou atingido por planetas e satélites kamikaze em existir.
Então não choro... não, sei caminhar,
em meio a névoa, descobrindo coisas quando não é mais possível evita-las
E sei enfrentar... E provocar enfrentamentos.

Será que você pode me beijar um dia?
Assim, em minha translação errada,
Será que você pode me fazer acreditar?
Sentir saudades dessa minha nossa história tão diferente da nossa história?
É o dia 29 do segundo mês
Ele não vai mais acontecer.


Wanderson Lana
29/02/2012

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Incidir em mim




Foi involuntário... Debaixo do chuveiro, primeiro dia do ano. Como um ritual rosti bem forte o sabonete no peito limpando os pontos de feridas que não vão sarar, mas limpas não infeccionam. Descansa o coração, orei. Não a Deus, orei a mim, ao Eu de dentro e ele escuta, se você insite um dia escuta. Escutou naquele dia e me fez bonito no espelho. Dois anos me fizeram tão feio, agora a imagem refletida é bonita... Sou o mesmo e a imagem não.

As roupas eram novas, o lugar novo, as pessoas me olhavam, me amavam, me queriam e eu também querendo conhecer todas aquelas pessoas que já conhecia, doar a elas todos os meus sorrisos, minha presença, o meu lado feliz - que existe, eu promete, ele existe. - Eu querendo correr com qualquer alguém capaz de segurar minha mão bem forte e dizer "Estou aqui, não vou até o fim da estrada contigo, mas enquanto estivermos ligados não te deixo... E depois prometo lembrar sempre e te fazer saber que lembro", sorrindo deixo, me deixo. Correndo e conversando coisas profundas e vertendo lágrimas ebolidas pela pele sem deixar marcas. Eu me vejo assim. Então abraço todo mundo, olho uma moça de olhos claros e sinto seu amor, retribuo sem medo com olhos de "Você me esperou e estou aqui... Obrigado por me esperar".

Não há certezas agora, não se confunda. Na verdade aprendi que nada nunca é certeza, que certeza é uma palavra como futuro, existe, mas é abstrato e inalcansável. Entende? Eu entendo... Entende também.

Sou como uma poema: cheio de palavras erradas. Sim, uma palavra só é bonita em um poema porque está errada, palavras certas são da gramática e não da poesia. No poema elas dizem outras coisas, não é o que está escrito, amor... amor... Leia com o peito, vai. Verbo de poema não conjuga. E sou pretérito imperfeito nesse presente reticente de um futuro sem pretérito nenhum. Corre comigo, segura minha mão e diz que vai lembrar e vai me fazer saber que lembrou. Corre comigo...


Wanderson Lana

terça-feira, 21 de junho de 2011

A lápis



Não foi rabisco,
E ainda assim toda escrita a lápis.

Nos campos do romantismo, onde pássaros e flores ornavam o cenário
E o vento certo carregava um futuro que era possível alcançar,
Palavras ditas e silenciadas não existem mais...
Acreditar no baú que guarda é se perder do tesouro.
Então olho o branco da folha,
Sinto uma história
E até afirmo poder ver,
Mas no branco da folha, só há o branco...

- Eu sinto... eu sinto...
E crio histórias de sentir,
Histórias de chorar,
Histórias de amor...
Que estavam ali, – Eu juro!
E que agora eu crio.

Você me escreveu a lápis,
E já não escavam vestígios meus em seu peito.
Sempre volta para as coisas que me afastam e lá
Permanece seguro, entendo... E me afasto.
Estou quieto...
Choro a noite por ter escrito assim, com letra bonita e cuidadosa,
Com uma tinta que demora, mas sai.

Chorou e ainda chora pela partida de outros amores,
Mas à minha se alegra, embarca a escrever
Em rascunhos as verdadeiras palavras de amor
Que a borracha não apaga...
Apaga a mim... Papel em branco, não há mais nada.
Foi escrito a lápis,
Se lembra, é com segredo e não sorriso.

Não é raiva, ou dor ou solidão...
É tristeza de um coração dizendo:
“Se era preciso escrever a lápis, não escrevesse então”.


Wanderson Lana
      21/06/2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

Abstinência








Há um grande pedaço do todo de mim que padece em abstinência,
Não porque parou, porque busca e não pode encontrar...
Tenho sonhos, carinho, beijos e abraços,
Mas não tenho palavras...
Careço as palavras.

Se os beijos me acalmam,
Se os abraços me confortam,
Está nas palavras a paz que me permite seguir.

Então caminho assim,
Olho e não vejo e aceito... E espero as palavras,
E concedo as palavras
Em formas, cores, sons,
Em gosto que meus lábios já recebem.

Olho singelo e peço pronomes, verbos, adjetivos...
Para que assim o dia possa começar.
Estou parado há algum tempo,
Se você me ver
Responda que dia é hoje.

Está nas palavras a paz que me permite seguir.


Wanderson Lana
     17/05/2011

domingo, 24 de abril de 2011

Antes de Dormir




Ainda penso,
Enconsto a cabeça no travesseiro e demoro dormir,
Já é madrugada e o telefone não toca
e não vai tocar.
Mesmo assim eu penso,
fraco agora,
leve aceno de esperança aos dilacerados pensamentos bons.
Não demora muito, cedo ao sono
E não lembro de sonhar.

Estive errado tanto tempo,
ápode a caminhar
pelos inúteis contornos da fé.
Retirante do peito que enfraquece e pede abrigo.
Descobre depois o erro em voltar e parte...
E volta de novo, e decobre... E assim...
Permanece assim, em jornada.

Ainda penso, pouco, leve e suave.
Mas não acredito mais.


Wanderson Lana
      24/04/2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

Pégasus


Você não existe,
E assim eu te quero,
Imagino...
E espero com a certeza de ter um dia.

Através da janela vejo seus pés quase flutuarem,
Não é vôo... é passeio.
Com um olhar escuro me convida
Não para voar,
Para flutuar também.
Então me deixo,
Varo a janela... pés descalços na lama,
Ganho feridas que vão doer depois...
Mas que importa o depois
Se existe agora um convite seu?

Você não existe,
Chego e descubro...
O mundo fantástico
Foi eu que criei.
E acredito...
Sou criança que permanece na escola,
De tanto querer voltar pra casa,
Como castigo,
Vira a criança que permanece.

Estava errado,
Por muito tempo estive errado...

Olhos, janela...
Ainda está lá,
Flutuando com essas asas que não se movem
Tão bonitas, mesmo assim.
Quero correr de novo,
Sujar os pés de feridas pra depois...
Mas se corro não consigo deitar
E estou tão cansado.

Você não existe.

Existe?



Wanderson Lana 
17/03/2011