domingo, 24 de abril de 2011
Antes de Dormir
Ainda penso,
Enconsto a cabeça no travesseiro e demoro dormir,
Já é madrugada e o telefone não toca
e não vai tocar.
Mesmo assim eu penso,
fraco agora,
leve aceno de esperança aos dilacerados pensamentos bons.
Não demora muito, cedo ao sono
E não lembro de sonhar.
Estive errado tanto tempo,
ápode a caminhar
pelos inúteis contornos da fé.
Retirante do peito que enfraquece e pede abrigo.
Descobre depois o erro em voltar e parte...
E volta de novo, e decobre... E assim...
Permanece assim, em jornada.
Ainda penso, pouco, leve e suave.
Mas não acredito mais.
Wanderson Lana
24/04/2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
Pégasus
Você não existe,
E assim eu te quero,
Imagino...
E espero com a certeza de ter um dia.
Através da janela vejo seus pés quase flutuarem,
Não é vôo... é passeio.
Com um olhar escuro me convida
Não para voar,
Para flutuar também.
Então me deixo,
Varo a janela... pés descalços na lama,
Ganho feridas que vão doer depois...
Mas que importa o depois
Se existe agora um convite seu?
Você não existe,
Chego e descubro...
O mundo fantástico
Foi eu que criei.
E acredito...
Sou criança que permanece na escola,
De tanto querer voltar pra casa,
Como castigo,
Vira a criança que permanece.
Estava errado,
Por muito tempo estive errado...
Olhos, janela...
Ainda está lá,
Flutuando com essas asas que não se movem
Tão bonitas, mesmo assim.
Quero correr de novo,
Sujar os pés de feridas pra depois...
Mas se corro não consigo deitar
E estou tão cansado.
Você não existe.
Existe?
Wanderson Lana
17/03/2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Verdades e mentiras sobre a chuva
É possível voar quando os dedos da mão e dos pés enrugam num mesmo momento,
E quando é tempestade e se tem um guarda-chuva preto os raios não atingem você...
É como sumir de repente.
E se sua mente tem um amor ou um passado, ou uma esperança ou alguma coisa que o fez ficar parado, ela não molha.
A chuva só molha quem é correspondido.
É fácil chorar, porque a lágrima se confunde com a chuva,
E se tiver lua nova, os dois líquidos se encontram realizando um pedido seu...
É como ter a dor e o alívio.
E se seus pés encharcam, ou os sapatos, ou a terra, ou qualquer coisa que te faça ficar firme, o tempo pára.
A chuva permite lembrar sem pressa.
É quase certa a ausência do sofrimento causado pela dor,
E quando os trovões se unem na composição de uma sinfonia que você entende é bom,
É como deitar sobre um colo.
E se o vento vem forte e seus olhos insistentes decretam permanecerem abertos não perecendo a todas as poeiras do passado dos outros, você suporta.
A chuva antecipa a força de depois.
É simples sumir se você não agüenta e desaba,
E quando as nuvens se fazem escuras e tudo parece acabar você começa,
É como quebrar e juntar e ser novo.
E se você grita com força mostrando com medo, mas... sem medo as coisas nos olhos escondidas, você consegue de volta.
A chuva permite dizer a verdade e ainda possuir.
É comum acreditar quando, aos poucos, ela ciosa termina
E quando os pingos não são mais suficientes, você não quer mais entender.
É como esquecer e agüentar.
E se você vai embora acreditando que... se é pra ser tão fraca então que pare de chover de uma vez, você enfrenta...
A chuva permite as mentiras e verdades sobre ela.
Wanderson Lana
14/02/2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Canção para o vento que espera
Deixa o vento entrar,
É leve essa canção.
Diz assim: deixa o vento entrar e só...
Não é a janela, nem a porta... Tem um buraco no teto,
É por ali, não por onde esperam,
É por onde você espera.
Deixa o vento entrar, coraçãozinho.
Xucro, aguarda convite,
Sem palavras só com olhar...
Olha entre meio aos seus cabelos,
- Cabelos bonitinhos de tão bonito -
Aí ele vem,
Vem e enlaça, arrebata, carrega, mantém,
Vem e modifica, faz sorrir, chorar, muda tudo.
Vem e por vir, vem mesmo.
Deixa o vento entrar, é leve essa canção,
Diz: deixa o vento entrar e só...
Vou cantar e assim posso entreter a espera,
Vai lá, escuta e depois deixa entrar:
“Deixa o vento entrar,
O vento,
O vento,
Deixa o vento entrar, coraçãozinho...
Deixa vai”.
Wanderson Lana
10/12/2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Planeta Vermelho
Vou embora, além das fronteiras do céu,
Onde o azul perde o sentido em ser
E todas as outras cores são o céu também.
Vou além e além fica Marte
Não o Deus, o lugar.
O lugar além do céu é vermelho
vermelho-cor-das-coisas-que-sinto.
Não há nada além da cor (das coisas que sinto)
Mas qu'importa,
Mas qu'importa se aqui, sob os azuis, o tudo se perde em relatividades?
Se quiser pode pensar em mim,
imaginar-me agora distante... em outro planeta, além do azul,
Para os sábados demorados deixei uma carta que não conforta,
uma carta ao remetente... não responde nada.
Deixa no ar (eu e as perguntas),
Um ar vermelho que não conseguirá respirar.
Eu sou de Marte
Sou do vermelho e não do azul,
Sou dos desertos, das impossibilidades, do silêncio, do vazio...
Da solidão também que já sou eu; e do clima que as estações de medição não conseguem prever.
Lá dá pra correr, sem nunca chegar...
Cair desenleado a vergonha e ao riso,
Não contar as horas e o tempo mesmo assim correr e de súbito anunciar épocas e vanguardas...
Vou embora, além das fronteiras,
Se quiser... pode pensar em mim.
Wanderson Lana.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Desapego
Tira o chinelo da porta
Faça a cama
Troque os vasos amarelos da janela
Desapega...
Coloca outro filme
Vira à direita
Não, à direita
Abstrai o sorriso
Muda, desapega...
Chora também
Atira o copo
Suja a roupa
Passa a música
Muda, aceita, desapega...
Desfaz a rosa
Abre a janela
Faz o suco
Roa a unha
Aceita, chora, muda, desapega.
Começa a fumar
Pára de fumar
Começa a correr
Pára de correr
Chora, aceita, muda, aceita, desapega
Escreva um poema
Escreva uma carta
Visita o amigo
Conversa
Aceita, aceita, aceita, muda, desapega.
Tira o chinelo da porta
O cheiro no quarto
E o toque na pele
Desapega...
Desapega.
Wanderson Lana
Assinar:
Postagens (Atom)







